Segunda-feira, Janeiro 16, 2012

O clichê "pseudo-intelectual"

Desde o texto publicado pelo Matheus Pichonelli (ótimo por sinal) na Carta Capital, os fãs do BBB tiveram orgasmos múltiplos, jogando na cara de quem não assiste o programa, por qualquer motivo, que a atração enfim foi reconhecida por alguém como a melhor coisa que já apareceu na TV aberta brasileira nos últimos tempos. Houve gente que se sentiu regozijada, pois teve a sua prática abalizada por alguém da Carta Capital. E quem atacava o programa, imediatamente se calou, pois merecer o rótulo de “pseudo-intelectual” é a maior humilhação que já existiu nos dias de hoje.

Quem quer ser chamado da maior ofensa moderna?

Vamos separar as coisas.

Falo da minha própria experiência, pois só posso analisar as coisas através dela, mas pode ser que sirva pra alguma coisa. Partirei de uma frase que li no Facebook, num regozijo orgásmico de um fã:

“BBB é mais inteligente que novela, e nem por isso novela é tão criticada.”

Bom, concordar com uma frase dessas é o mesmo que reconhecer que Kleber Bam Bam é mais representativo para o Brasil que Fernanda Montenegro, que sim, já fez muitas novelas. Seria como elevar o Dhomini (who?) a um grau maior que de... Tony Ramos, vá lá. Pra mim, a novela nada mais é que um teatro televisionado. Os grandes atores e diretores de teatro (admirados por todos os intelectuais e até os pseudo) já fizeram ou fazem novelas.

Olha só, a grande dama do Teatro faz novelas. Ela fez Passione. Meu Deus!

Atualmente não estou acompanhando nenhuma das novelas que estão no ar, mas já vi muitas delas. E algumas até me despertaram a curiosidade para saber e aprender mais sobre alguns temas específicos. Ao assistir Mandacaru – exibida pela Manchete em 1997 e reprisada pela BAND em 2005 – fui atrás de tudo que falava sobre cangaço, Lampião e a vida no sertão nordestino naquela época. Ao assistir “O Quinto dos Infernos” em 2002, passei a devorar livros e referências sobre a vida de D. Pedro I. O que me despertou ainda mais vontade de aprender e pesquisar sobre a história do Brasil – coisa, aliás, que na escola parecia completamente tediosa.

Me pergunto, que tipo de motivação me inspiraria uma noite de festa no BBB.

Cena da novela "Mandacaru", uma das que eu mais gostei de assistir. Personagem "Zebedeu" de Bemvindo Siqueira

Enfim, “aprendizados” a parte, a questão que me deixa até de certa forma indignado é o tal estereótipo do estereótipo que se criou que a pessoa que não vê BBB é “pseudo-intelectual”.
E o pior, o fato das pessoas simplesmente não aceitarem que você não assiste o BBB. “Você assiste sim, só que não assume que assiste”. Eu não tenho problema nenhum em dizer que assisti sim, as 3 primeiras edições do programa. Vi o Kleber Bambam beijar uma boneca feita de lata e achei aquilo engraçado. Vi um cara que se humilhava pela namorada (sinceramente, não me lembro o nome dele) em rede nacional e me lembro dessa edição porque ela foi no meio da Copa do Mundo de 2002. E me lembro de ver o Jean Willys (hoje deputado) ser hostilizado por sua preferência sexual em rede nacional.

Depois disso percebi que não me interessava mais por aquilo. Parei de ver, busquei outras opções e de lá pra cá não parei mais na frente da TV um minuto sequer pra assistir o BBB. Concluí por mim mesmo que não me interessava mais. Simples assim. Sou pseudo-intelectual por isso? Ora, vá a merda!

Não sou intelectual. Nem pseudo. Não me meto a discutir assuntos que não entendo. Não vou sair por aí dizendo que gosto de Machado de Assis se li apenas 1 livro dele na vida. Não vou sair por aí analisando os quadros da Frida Kahlo nem nunca fui à Feira Literária de Paraty. Acho até difícil de eu ir. Gosto de Cartola, mas detesto João Gilberto. Sou realmente um “pseudo-intelectual”?

O "pseudo-intelectual" típico.

Acredito que o “Clichê Anti-BBB” descrito pelo Matheus Pichonelli, se encaixa em outras pessoas. Aquelas que CRITICAM, MAS ASSISTEM.

Como disse o professor Francisco Resende há poucos dias: "Entra ano, sai ano, e o tal do BBB continua dominando as redes sociais. Engraçado, porque 95% dos internautas afirmam não "perder tempo" assistindo BBB. Como que os outros 5% conseguem mobilizar tanto na rede?"

Se o BBB é tão criticado, ele não deveria viver dominando os Trending Topics do Twitter. Não deveria lotar o Facebook de referências ao assunto nem ser motivo de comentários nos pontos de ônibus espalhados por aí. As pessoas que criticam, mas não tem a coragem de pegar a porra do controle remoto e mudar de canal, são as que se encaixam perfeitamente no texto do Matheus e na frase do digníssimo Capitão Nascimento: É VOCÊ QUE FINANCIA ESSA MERDA!

Tal qual o cara que deita falação no Michel Teló, mas quando ele vai tocar em sua cidade é o primeiro a comprar ingresso. Sob uma desculpa qualquer. “Só vou ao show pra ver meus amigos”. De alguma forma a pessoa está financiando a sobrevivência de algo que teoricamente ela detesta, não?

Nesse ponto concordo totalmente com o Matheus. Mas o que os fãs inteligentes de BBB agora pregam, é que todo mundo que fala algo contra a atração é um “pseudo-intelectual-que-assiste-o-programa-escondido-e-quer-parecer-mais-inteligente”. E isso sinceramente irrita. Muito.

Sou burro. Sou pobre. Sou Silva. Sou feio. E não assisto BBB!



A invenção mais democrática da história.






* Leia o texto do Matheus de novo, aqui ó > http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-cliche-anti-bbb


Segunda-feira, Dezembro 05, 2011

Aos Covardes e Oportunistas que se denominam Torcedores... deixem o futebol em paz!

Uma das maiores paixões que eu tenho, assim como milhões espalhados pelo mundo é o futebol. E todo fã de futebol tem um time do coração. Eu sou um privilegiado por ter 2. Sim, como cresci numa cidade do interior de Minas, com time profissional que sempre disputou o campeonato mineiro, adotei-o como segundo time. Só quem é do interior sabe como é. Enfim, a minha paixão pelo futebol não depende das vitórias ou só do desempenho do meu time. Acompanho futebol porque gosto, de todo tipo. Desde a Champions League até a Terceira Divisão do Campeonato Mineiro, com uma leve queda para a última competição, por se tratar de um futebol mais... verdadeiro. Sem glamour, disputado em campos de arquibancadas de cimento, sem o conforto e a platéia de ópera.


Morumbi as moscas em mais uma rodada do Brasileirão

A minha visão de futebol é muito diferente da que é propagada na mídia em geral. Talvez explique isso numa próxima oportunidade, mas só pra resumir, pra mim “Futebol se vive, não se calcula” como disse certa vez o jornalista Julio Gomes. Mas enfim, o texto trata de outra coisa. Do que era pra ser a essência do futebol, afinal, é a parte mais importante do esporte, na qual sem ela, nada acontece: A Torcida. E o comportamento do torcedor. Não do torcedor comum, que denominarei aqui de “Torcedor Verdadeiro”. Este “Verdadeiro” é aquele que vai ao estádio independentemente da “importância” da partida do seu time. Que paga ingresso, que enfrenta fila, que compra camisa, que se não vai ao estádio, por separação geográfica, compra o pay-per-view pra ver todos os jogos do seu time. Aquele que discute futebol, que comenta, que brinca, que aceita gozação e que goza dos rivais. Esse é o Torcedor Verdadeiro. Essa é a alma do futebol.

Mas o que mais me irrita no futebol é o outro tipo de torcedor. O Oportunista. O Covarde. O torcedor de ocasião. Ele me ofende. Me agride. Como fã de futebol, como quem vive esse esporte. Me sinto profundamente agredido, pelo comportamento de Covardes e Oportunistas em relação a uma das minhas maiores paixões.

É importante ressaltar que não importa o time que o Oportunista torça, ou diz torcer. Ele existe em TODAS as torcidas. E deve ser desprezado e ridicularizado pelas mesmas.

O Oportunista é aquele torcedor que diz ter um time. Mas você nunca o vê indo ao estádio. Quando vai, é final de campeonato. Nunca o vê usando uma camisa do seu time. Nunca o vê comentando sobre futebol, falando qualquer coisa relacionada ao seu time ou ao futebol em geral. Que nunca assiste futebol. Ouvir no radinho então, nem pensar... É aquele que não conhece regras do esporte, que só conhece nomes como Neymar porque o mesmo já saiu do noticiário esportivo há tempos.

A Copa do Mundo talvez seja a maior exemplificação, onde o Oportunista encontra o maior espaço. Eu adoro a Copa do Mundo, mas é justamente nela, no ápice maior do futebol e de quem é amante deste esporte é que eu me sinto mais ofendido. Dá vontade de tirar férias do futebol, porque é duro ver oportunistas e torcedores de ocasião que aparecem pra debater, discutir tática e cornetar algo que eles jamais sequer mencionaram 1 minuto de suas vidas.

Copa do Mundo - A época que os Oportunistas mais saem da toca

Mas o que vai diferenciar o Torcedor Verdadeiro do Covarde não são as vitórias. É a má fase. É a crise.

Quando o time do Oportunista passa por uma fase ruim, ele se esconde. Se omite. Desconversa. Que fala “eu nem gosto tanto assim de futebol”. Que chega até ao cumulo de dizer que torce pra outro time! Não aceita a natural gozação dos rivais. Desliga ao celular pra não ter que atender as ligações dos amigos que torcem pra outro time. Que parte pra ignorância. Que desaparece do mapa. E nos dias de hoje, desaparece das redes sociais onde quando a fase era boa, estava sempre presente arrotando sua “paixão”. E como o futebol é cíclico, um dia se está por cima e no outro por baixo, o Oportunista reaparece assim que seu time se recupera. Jurando amores. Ligando pros amigos rivais – os mesmos que ele não atendeu na fase ruim – pra soltar suas brincadeirinhas. E utilizando das desculpas mais esfarrapadas para justificar o seu “sumiço” e que em nada teve coincidência com a má fase do seu time.

Pra mim isso se resume em uma palavra: COVARDIA.

Se o desvio de caráter se dá no futebol, que é pra ser “a coisa mais importante dentre as menos importantes”, como diria Arrigo Sacchi, imagina como é essa pessoa na vida? Não gostaria de ter como amigo um “Torcedor Oportunista”. Pois na primeira adversidade ele será o primeiro a correr, se esconder de você, não atender suas chamadas, se omitir e dizer que “nem conhece você tanto assim”... afinal, ele só está ao seu lado e jura lealdade enquanto você está bem.

Mauro Cezar Pereira, um dos jornalistas que mais admiro e que tem uma visão bastante sensata e romântica do futebol, diz “Muitos brasileiros que dizem gostar de futebol e de seus times de coração mostram, na prática, que gostam mesmo é de vencer”. Se futebol é um esporte, onde a vitória é só uma opção, como condicionar sua paixão à ela? Julio Gomes, na festa do título do acesso da Portuguesa à Série A, em novembro passado disse no twitter: “Recomendo a todos, uma relação mais intensa e fraternal com seus times do q "o que vale é ganhar". Faria um bem ao mundo todo”.

Torcida do Santa Cruz - 60 mil na final da SÉRIE D e a maior média de público de todas as séries do Brasileirão juntas. Como não respeitar?

Torcida do Olaria: poucos, mas Verdadeiros.

Mauro Cezar, ainda lava a cara dos Oportunistas e Covardes no mesmo texto, fantástico por sinal:

“Amor de torcedor é amor incondicional. Você simplesmente não consegue viver sem aquele time, sem aquela camisa. Sofre, ri e chora por causa dele. E não abandona, aconteça o que acontecer. Essa relação, às vezes doentia, também ajuda no desenvolvimento da personalidade do homem. O torcedor real encara os rivais e as gozações, tudo em nome de sua paixão. Ele não vira casaca, nem se omite.”

No Estatuto para o Verdadeiro Torcedor, texto de Marco Bressan, publicado no blog Forza Palestra, o item 25 merece ser destacado: Debata com torcedores adversários verdadeiros, menospreze os farsantes.

Farsantes, covardes, oportunistas, idiotas... chame do que quiser. Mas pra encerrar, uso a frase repetida sempre pelo grande Rodrigo Barneschi, do blog Forza Palestra:


DEIXEM O FUTEBOL EM PAZ, PULHAS!



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Mais sobre o tema:


Terça-feira, Novembro 01, 2011

A Lei da Perversidade Profissional

O texto a seguir... na verdade nem era um texto. É uma sequencia de tweets, postadas há uns dias atrás pelo jornalista Paulo Monteiro (@PauloJournalist) que falam sobre algumas experiências profissionais. Não sei se ele postou em forma de desabafo, de experiencia, mas o fato é que eu achei muito legal. E concordo com várias coisas...



Segue aí


Muito cuidado ao tentar prejudicar um colega de trabalho; Amanhã ou depois você pode depender dele para alguma coisa!
Afinal, colegas passam, mas inimigos são para sempre
A chance de uma pessoa se lembrar de um favor que você fez a ela vai diminuindo à taxa de 20% ao ano. Cinco anos depois, o favor será esquecido. Não adianta mais cobrar. Mas a chance de alguém se lembrar de uma desfeita se mantém estável, não importa quanto tempo passe.
Exemplo: Se você estendeu a mão para cumprimentar alguém em 1999 e a pessoa ignorou sua mão estendida, você ainda se lembra disso em 2009. A importância de um favor diminui com o tempo, enquanto a importância de uma desfeita aumenta.
Favor é como um investimento de curto prazo.
Desfeita é como um empréstimo de longo prazo.
Um dia, ele será cobrado, e com juros.

Um colega não é um amigo. Colega é aquela pessoa que, durante algum tempo, parece um amigo. Muitas vezes, até parece o melhor amigo.
Mas isso só dura até um dos dois mudar de emprego.
Amigo é aquela pessoa que liga para perguntar se você está precisando de alguma coisa.
Ex-colega que parecia amigo é aquela pessoa que você liga para pedir alguma coisa, e ela manda dizer que no momento não pode atender.

Durante sua carreira, uma pessoa normal terá a impressão de que fez um milhão de amigos e apenas meia dúzia de inimigos. Estatisticamente, isso parece ótimo.
Mas não é! A 'Lei da Perversidade Profissional' diz que, no futuro, quando você precisar de ajuda, é provável que quem mais possa ajudá-lo é exatamente um daqueles poucos inimigos.
Portanto, profissionalmente falando, e "pensando a longo prazo, o sucesso consiste, principalmente, em evitar fazer inimigos.
Porque, por uma infeliz coincidência biológica, os poucos inimigos são exatamente aqueles que têm "boa memória".

“Na natureza não existem recompensas nem castigos. Existem conseqüências.”



Pra seguir o autor dos tweets que se transformaram em texto> @PauloJournalist

Sábado, Outubro 22, 2011

Só mais um texto chato sobre os anos 80...

De repente eu entro no Facebook e me deparo com uma postagem do Anderson Butilheiro, do Blog Estereotipo, que remete aos anos 80. Aí já viu né, um clic que leva a outro, a outro e quando percebe está no Youtube com 32 abas abertas... a década de 80 realmente me chamam muita a atenção. Deve ser porque nasci nela. Ou não. Sei lá. São só devaneios...

Tudo o que a gente não viveu parece mais atraente do que possa realmente ter sido para quem viveu. O passado sempre parece ser melhor que o presente, porque o pintamos da cor que nós queremos. A frase não é minha, não sei de quem é mas nunca esqueci. E tentar viver o passado ou pelo menos imaginar o que era é uma das minhas manias mais chatas.

Tenho uma vontade imensa de ter vivido a década de 80. Mas não a vivi completamente, pois nasci em sua segunda metade e, apesar de ter vagas lembranças da minha vida sub-5 anos de idade (parece aqueles insights) só vou me entender como gente mesmo ali pra 1992, então com 6 anos de idade.

A década dos 80 me fascina realmente. Não faço idéia do porque. A musica, o modo de vida, os filmes, os desenhos, os esportes, os acontecimentos históricos... tudo parecia melhor. Mais simples. Primeiramente, se estivéssemos nos anos 80 eu não estaria sentado a frente de um computador escrevendo e lendo opiniões alheias no Twitter, Facebook. Nem ao menos poderia publicar esse texto pra alguém ler, pois não existia blog. Eu estaria escrevendo numa máquina de escrever, fazendo um barulho infernal, assistindo TV Pirata. E o texto, ficaria guardado em algum lugar, sem que ao menos alguém pudesse ler (quase o mesmo de se publicar nesse blog).

Mas a década de 80 contém uma seleção de coisas que eu gostaria de ter visto, sentido, participado, ouvido...

Gostaria de ter visto o surgimento da Legião Urbana, do rock brasileiro com toda a sua força. Ter ido a um show do RPM, da Blitz ou do Inimigos do Rei e ficar cantando “vem Kafka comigo...” o dia todo. Gostaria de ter gravado uma fita k7 e entregado a alguém. Ou esperado um tempão pra comprar um LP de algum artista. Talvez o A-Ha ou o Smiths. Quem sabe o The Cure. Ter esperado tocar The Housemartins cantando “Pa pa pa papeeel” em alguma rádio pra poder gravar. E ter ouvido Guns N’ Roses em seu surgimento e ali cultivado esperanças de ver uma das maiores bandas de rock da história.



Gostaria de ter ido ao primeiro Rock in Rio. Nem pela questão musical em si, mas por ser um marco, um festival inédito de tudo o que se tinha notícia por aqui. E de ter visto o primeiro desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro na Marquês de Sapucaí. Um pouco antes ter cantado Bumbum Paticumbum Prugurundum e É Hoje o Dia, da Alegria... Ter assistido Os Trapalhões em sua formação completa. Esperar toda semana pra ver TV Pirata. Chacrinha e Viva a Noite. E as Diretas Já? E ter tido esperança na mudança do país? Aliás, quanta decepção devem ter aqueles jovens que foram as ruas, com o país hoje hein? A decepção de ter visto um presidente eleito pelo povo, após tanto tempo, ir embora antes de assumir o posto.

Gostaria de ter visto a Argentina campeã de 1986, com Diego Maradona a frente daquela fantástica seleção. Mesmo não torcendo pra Seleção Brasileira, sim, eu gostaria de ter visto a Seleção de 82 jogar. Assim como gostaria de ter visto um desfile de craques no Campeonato Brasileiro. Reinaldo, Éder, Luisinho pelo Atlético. Zico, Sócrates, Falcão, Junior, Renato Gaucho no auge da carreira e até Serginho Chulapa marcando o gol do título do Santos em 84. Eu gostaria de ter visto a Fórmula 1 mostrar ao mundo um tal de Ayrton Senna. O Brasil parado em toda manhã de domingo pra ver aquele ídolo.

E se eu fosse criança, passaria as manhãs assistindo He-Man, Duck Tales, Muppet Babies, Os Herculóides, Manda Chuva, Nossa Turma, Pequeno Príncipe, Punky... logicamente eu assisti todos na minha infância nos anos 90, mas... era diferente, não era? E eu gostaria de ter ganho um Walkman, daqueles amarelos “a prova d’água”. Ou quem sabe um toca-fitas. E logicamente perder tardes jogando Atari.

Gostaria de ter visto Indiana Jones e Rocky IV no cinema. Aplaudido a cena do ET voando na garupa da bicicleta passando em frente a lua. De ter visto Top Gun e sonhado, na ingenuidade, em me tornar um aviador. E de ter me acabado de rir vendo Corra que a Polícia Vem Aí. De ter sonhado em ser um lutador após assistir Karate Kid. Sonhar com um futuro esquisito, com Blade Runner e De Volta Para o Futuro. Ter vibrado com Rambo e os filmes de luta de Van Damme, Schwarzenegger e Stallone. Além de Bruce Lee. E o que dizer de Scarface? Me inspirado em Ferris Bueller e ainda ter vidrado em Os Goonies e os Gremlins.


Muitas das coisas descritas no texto, eu fiz. Eu vi, pois é natural algumas coisas sobreviverem até a década seguinte. Gravei muita fita K7, esperei musicas tocarem na rádio pra gravar, vi corridas de Senna, vi todos os filmes citados e ouvi todas as bandas. Mas é diferente.

Podia ser possível voltar ao passado. Não como atuante, pois como sabemos uma alteração no passado, muda todo nosso presente e futuro, mas uma forma de... simplesmente assistirmos. Pararmos em frente a um aparelho e assistir, como se assiste a uma TV, o passado. E mais, poder sentir a mesma sensação de quem esteve ali.

Não sei se seria melhor. Ou pior. Apenas gostaria de ter visto...

Quarta-feira, Outubro 19, 2011