Desde o texto publicado pelo Matheus Pichonelli (ótimo por sinal) na Carta Capital, os fãs do BBB tiveram orgasmos múltiplos, jogando na cara de quem não assiste o programa, por qualquer motivo, que a atração enfim foi reconhecida por alguém como a melhor coisa que já apareceu na TV aberta brasileira nos últimos tempos. Houve gente que se sentiu regozijada, pois teve a sua prática abalizada por alguém da Carta Capital. E quem atacava o programa, imediatamente se calou, pois merecer o rótulo de “pseudo-intelectual” é a maior humilhação que já existiu nos dias de hoje.

Quem quer ser chamado da maior ofensa moderna?
Vamos separar as coisas.
Falo da minha própria experiência, pois só posso analisar as coisas através dela, mas pode ser que sirva pra alguma coisa. Partirei de uma frase que li no Facebook, num regozijo orgásmico de um fã:
“BBB é mais inteligente que novela, e nem por isso novela é tão criticada.”
Bom, concordar com uma frase dessas é o mesmo que reconhecer que Kleber Bam Bam é mais representativo para o Brasil que Fernanda Montenegro, que sim, já fez muitas novelas. Seria como elevar o Dhomini (who?) a um grau maior que de... Tony Ramos, vá lá. Pra mim, a novela nada mais é que um teatro televisionado. Os grandes atores e diretores de teatro (admirados por todos os intelectuais e até os pseudo) já fizeram ou fazem novelas.
Atualmente não estou acompanhando nenhuma das novelas que estão no ar, mas já vi muitas delas. E algumas até me despertaram a curiosidade para saber e aprender mais sobre alguns temas específicos. Ao assistir Mandacaru – exibida pela Manchete em 1997 e reprisada pela BAND em 2005 – fui atrás de tudo que falava sobre cangaço, Lampião e a vida no sertão nordestino naquela época. Ao assistir “O Quinto dos Infernos” em 2002, passei a devorar livros e referências sobre a vida de D. Pedro I. O que me despertou ainda mais vontade de aprender e pesquisar sobre a história do Brasil – coisa, aliás, que na escola parecia completamente tediosa.
Me pergunto, que tipo de motivação me inspiraria uma noite de festa no BBB.

Cena da novela "Mandacaru", uma das que eu mais gostei de assistir. Personagem "Zebedeu" de Bemvindo Siqueira
Enfim, “aprendizados” a parte, a questão que me deixa até de certa forma indignado é o tal estereótipo do estereótipo que se criou que a pessoa que não vê BBB é “pseudo-intelectual”.

E o pior, o fato das pessoas simplesmente não aceitarem que você não assiste o BBB. “Você assiste sim, só que não assume que assiste”. Eu não tenho problema nenhum em dizer que assisti sim, as 3 primeiras edições do programa. Vi o Kleber Bambam beijar uma boneca feita de lata e achei aquilo engraçado. Vi um cara que se humilhava pela namorada (sinceramente, não me lembro o nome dele) em rede nacional e me lembro dessa edição porque ela foi no meio da Copa do Mundo de 2002. E me lembro de ver o Jean Willys (hoje deputado) ser hostilizado por sua preferência sexual em rede nacional.
Depois disso percebi que não me interessava mais por aquilo. Parei de ver, busquei outras opções e de lá pra cá não parei mais na frente da TV um minuto sequer pra assistir o BBB. Concluí por mim mesmo que não me interessava mais. Simples assim. Sou pseudo-intelectual por isso? Ora, vá a merda!
Não sou intelectual. Nem pseudo. Não me meto a discutir assuntos que não entendo. Não vou sair por aí dizendo que gosto de Machado de Assis se li apenas 1 livro dele na vida. Não vou sair por aí analisando os quadros da Frida Kahlo nem nunca fui à Feira Literária de Paraty. Acho até difícil de eu ir. Gosto de Cartola, mas detesto João Gilberto. Sou realmente um “pseudo-intelectual”?
Acredito que o “Clichê Anti-BBB” descrito pelo Matheus Pichonelli, se encaixa em outras pessoas. Aquelas que CRITICAM, MAS ASSISTEM.
Como disse o professor Francisco Resende há poucos dias: "Entra ano, sai ano, e o tal do BBB continua dominando as redes sociais. Engraçado, porque 95% dos internautas afirmam não "perder tempo" assistindo BBB. Como que os outros 5% conseguem mobilizar tanto na rede?"
Se o BBB é tão criticado, ele não deveria viver dominando os Trending Topics do Twitter. Não deveria lotar o Facebook de referências ao assunto nem ser motivo de comentários nos pontos de ônibus espalhados por aí. As pessoas que criticam, mas não tem a coragem de pegar a porra do controle remoto e mudar de canal, são as que se encaixam perfeitamente no texto do Matheus e na frase do digníssimo Capitão Nascimento: É VOCÊ QUE FINANCIA ESSA MERDA!
Tal qual o cara que deita falação no Michel Teló, mas quando ele vai tocar em sua cidade é o primeiro a comprar ingresso. Sob uma desculpa qualquer. “Só vou ao show pra ver meus amigos”. De alguma forma a pessoa está financiando a sobrevivência de algo que teoricamente ela detesta, não?
Nesse ponto concordo totalmente com o Matheus. Mas o que os fãs inteligentes de BBB agora pregam, é que todo mundo que fala algo contra a atração é um “pseudo-intelectual-que-assiste-o-programa-escondido-e-quer-parecer-mais-inteligente”. E isso sinceramente irrita. Muito.
Sou burro. Sou pobre. Sou Silva. Sou feio. E não assisto BBB!
* Leia o texto do Matheus de novo, aqui ó > http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-cliche-anti-bbb













