O Falando Pras Paredes de um tempo pra cá anda completamente sem atualizações. Por preguiça, falta de tempo ou apenas desleixo mesmo, o blog anda literalmente fazendo jus ao seu nome. Mas arrumamos um colaborador voluntário que irá ilustrar estas páginas de vez em quando. Trata-se do amigo Rafael Lima, que domina como poucos a arte de escrever. No blog Cam1sa Do2e, que trata do Galo, encontra-se vários textos fodásticos do cara e aqui nas Paredes serão publicados os que não tratam de futebol ou do Atlético.
Enjoy!
A grama verde do Japão
Por Fael Lima

A imagem de uma rodovia reconstruída no Japão em apenas seis dias, após o terremoto que abalou o país, rodou o mundo através da internet e televisão, causando grande repercussão no Brasil. Diante de tal cena, fiquei a refletir como seria se fosse nosso país diante de tal situação.
Provavelmente, na primeira semana, os entulhos ainda estariam acumulados pelo local e um caminho secundário estaria aberto com o dono das terras cobrando pedágios. Qualquer vestígio de reforma teria que enfrentar uma licitação que se arrastaria por um longo período e independente da época em que ocorresse o desastre, a conclusão da obra seria inevitavelmente em período eleitoral. E, caso isso ocorresse, agiríamos com total naturalidade, assim como os japoneses acharam natural a velocidade com que tudo ocorre no país.
Anunciada a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, cheguei a pensar que o futebol, esporte considerado como paixão nacional pelos brasileiros, seria a cura e escaparia da famosa lentidão em reformas e construções. Porém, mais da metade dos estádios onde ocorrerão os jogos estão com seus cronogramas atrasados e alguns já detectaram irregularidades nos editais de licitação e notas fiscais.
A fatídica "Arena das Dunas", que será construída em Natal. Ícone da incompetência brazileira
Pena dos japoneses? Tenho pena é da terra do samba que importa máquinas brilhantes do Japão, mas não traz para o Brasil ações como uma simples rodovia reformada em pouquíssimo tempo. Não é o asfalto, não é o prazo, mas a mensagem que a ação carrega que a torna importante, o ato de pensar no coletivo, respeitar regras, deixar a honestidade à frente de tudo. Vimos esse país asiático reerguer-se após uma bomba atômica, enfrentando desastres seguidos por décadas, enquanto nós fabricávamos nossas próprias dificuldades nesse período.
Após um terremoto seguido de tsunami e um iminente desastre nuclear, os japoneses olham não só para o Brasil, mas para o mundo e dizem: “Pobre humanidade.” O Japão deve ser aplaudido de pé, pois num dos maiores desastres de sua história, nos trouxe a sensação que a grama do seu jardim ainda é mais verde.
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